Constrangimento em abraço na Casa da Cultura

Por Zuleika Lopes

O que era para ser um evento de ativistas culturais em busca do resgate da primeira Casa de Cultura do Guará, inaugurada na era Roriz, se tornou o que se chama de “Climão” entre os presentes no último sábado,(03). Durante o abraço simbólico coletivo, a presidente do Conselho de Cultura do Guará, Fernanda Morgoni iniciou uma live (vídeo ao vivo), questionando o ato e seus organizadores sobre uma possível preferência de ocupação da Casa da Cultura, hoje totalmente abandonada e deteriorada.

Fernanda Morgani chamou a atenção durante evento ao questionar o ato

Foi o que bastou para que o clima de harmonia e resgate cultural fosse quebrado durante o ato. Tudo porque a ideia de restauração da primeira Casa de Cultura do Guará foi da presidente do Museu do Vinil, Janete das Graças, que tomou a iniciativa de ir até a Administração Regional que prontamente abraçou a ideia. Ressaltamos que dos cinco conselheiros eleitos para cuidar da cultura da cidade, apenas a presidente do conselho compareceu. A mobilização via jornais e rádio comunitários, grupos de raps, conseguiu reunir 50 ativistas culturais, que saudosistas, tinham sempre uma história da juventude para contar dentro das instalações da antiga Casa da Cultura.

 

Instalações

Palco de grandes eventos culturais na década de 90 no Guará, atualmente o aspecto dentro e fora da edificação é lastimável, o fato de não ter nenhum vigilante no local facilita a ação de vândalos e ocupações irregulares. O forro de gesso está totalmente danificado, a pintura não tem mais condições de permanecer como está. A água e a luz foram cortadas. E, mesmo assim parece que as disputas pela ocupação do espaço serão acirradas entre os grupos culturais da cidade.

Para a presidente do museu do Vinil, o mais importante é resgatar o espaço e devolve-lo à comunidade. “Vamos atrás de financiamento coletivo para podermos restaurar este patrimônio cultural. A cidade, plural nas suas atividades culturais, precisa deste espaço. O Museu do Vinil só virá  a ocupar uma parte do espaço se assim decidir a sociedade unida. Vamos focar em abri-la para a comunidade”, explicou Janete.

O administrador regional Luiz Carlos, presente no abraço cultural, afirmou que não medirá esforços para que a antiga Casa da Cultura volte a funcionar. “A princípio vamos arcar com a água e a luz e colocar um vigilante. O que posso afirmar é que o laudo da Novacap constatou que não existe perigo iminente de cair à estrutura. A questão estrutural está firme. O que falta é restauração e manutenção constante. Temos uma sociedade de pessoas que clamam por mais espaços culturais na cidade. Sou um ativista cultural desde minha adolescência”, disse o administrador.

Já o feirante Adeilson, o “Rei das Castanhas” ,acredita que este tipo de movimento cultural é fundamental para a cidade. “Gosto do Guará. Quero tudo de bom para a cidade. Não podemos ter um elefante branco, bem ao lado da Feria do Guará, que é um cartão postal do Distrito Federal. Nosso patrimônio deteriorando e os governantes não se dando conta disto. Estou aqui para somar. Vamos primeiro preservar a história da cidade e só depois decidir quem tomará conta do espaço”, resumiu Adeilson.

 

Expedito Veloso esclareceu no evento que a cultura tem um papel preponderante no desenvolvimento das cidades. “Temos que parar e pensar na vocação cultural do Guará. A dança, a culinária, a música, são vocações que trazem, também, desenvolvimento econômico. Geram emprego e renda. Somos parceiros neste resgate da Casa da Cultura para compreendermos a evolução da sociedade plural e cultural do Guará”.

A prefeita comunitária da QE 46, Célia Caixeta, acredita que a iniciativa pioneira da presidente do Museu do Vinil vai render frutos. “Quem realmente ama o Guará está sempre  presente nos eventos que trazem algo de bom para a cidade. Alguém tinha que tomar a iniciativa. Precisamos de mais espaços culturais na cidade. Minha filha participa de um grupo de dança que hoje ensaia na rua, na Asa Norte, por falta de espaço no Guará. parabenizo a Janete das Graças pela sensibilidade cultural. É sofrido ver o estado em que se encontra a Casa da Cultura. Vamos fortalecer o movimento para reerguê-la”, disse.

Por outro lado, Fernanda Morgoni, acredita que existem vários outros espaços na cidade que precisam ser revitalizados. “ Estou conhecendo este movimento agora e espero que não tenhamos conflitos de interesses”. O processo deve ser imparcial e neutro. Democrático e por chamamento público para toda a comunidade”, acredita a conselheira cultural.

 

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