Precisando de apoio, artista arma barraca no Calçadão para mostrar seu talento

Artista plástico, depois de rodar por muitas cidades do país, encontrou no Guará solo fértil para exibir sua arte. Doriédson Xamã Sere’wa –Õno (homem justo e verdadeiro na língua xavante), com Registro Civil de Doriédson Adão, nasceu em Mato Grosso, sendo criado em uma tribo indígena, onde recebeu aquele nome.

Há seis meses está em Brasília e escolheu o conjunto G da QE 36, depois de ter passado pela QI 21, para expor seus trabalhos. Ele se autodefine como um misto de artista plástico e artesão. Com orgulho, exibe seus quadros de pintura abstrata em madeira e em lona de algodão cru. Conta que se serve do próprio local como laboratório para experiência artística.

Basicamente, suas telas, pintadas com tinta acrílica, são inspiradas em temas indígenas. Explica que também aproveita o próprio desenho original da madeira para acrescentá-lo ao conjunto da obra. Isso, segundo Doriédson, confere um valor intrínseco ao trabalho. “Mas o cliente ou o interessado no trabalho dá o que puder. Não há preço estipulado”, resume.

O lado de artesão fica por conta dos instrumentos silvícolas que fabrica. Apito simulando canto de pássaros e flautas doces são algumas peças produzidas por ele.

Próximo ao calçadão da 36, ele dispõe de uma barraca na qual a utiliza como atelier e moradia. Guarda seus apetrechos de trabalho em carrinhos de supermercados. Seu sonho? Um trailer ou um reboque, para poder melhor desempenhar seu trabalho e armazenar seu material.

Anteriormente instalado na entrada da QE 36, teve que recuar mais para o fim da quadra por causa da reclamação de alguns moradores e fiscalização, que chegou a confundí-lo com morador de rua. Muitos apoiam o artista, doando materiais e comida

Trabalhos já atraem admiradores

Tadeu Albuquerque, morador da QE 15, no Guará II, passa rotineiramente todos os dias pelo local pedalando sua bicicleta por todo o calçadão. Ouvido pela reportagem, elogiou seus trabalhos artísticos e, comovido por suas condições de trabalho, prometeu doar uma barraca maior para que possa se abrigar dos dias chuvosos e do frio. “Afinal, não perturba ninguém, não traz problemas e só quer mostrar sua arte”, justifica.

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